Depois do limbo: gestão estratégica e criatividade para minimizar os impactos econômicos

Após as paralisações devido à greve dos caminhoneiros, o Brasil se depara com um cenário inédito, lidando não apenas com um impacto na ordem de 60 bilhões de prejuízo nos mais variados setores da economia. O desafio está também na reinicialização, nas estratégias que serão necessárias para que os empreendedores retomem as atividades internas, as vendas e superem uma crise que se instaurou pegando a sociedade de surpresa.

Para a mentoring Karen Waechter, o momento histórico suscita um questionamento importante: “Será o começo de um novo cenário econômico ou simplesmente uma quarta-feira de cinzas?”. Ela explica que em geral os empresários se preparam para épocas de baixa produtividade, como o carnaval. “Os gestores já sabem o que fazer, como se organizar financeiramente e o fluxo da produção (seja de produtos, seja de serviços), criando estratégias prévias que permitem, inclusive, aproveitar o momento.”

Ao acrescentar que os empresários também já aprenderam com as “crises clássicas”, Karen salienta: “O que acontece agora é inédito. Apesar de sabermos de antemão sobre a possibilidade de paralisação e a importância do setor de transportes para a economia, acordamos em uma segunda-feira com a greve instaurada. Em poucos dias, a situação era de desabastecimento, de caos social, com cancelamento de aulas e reuniões, férias coletivas, falta de insumos básicos, entre outros, e uma incerteza absoluta sobre o rumo dos dias seguintes. Foram duas semanas de limbo”. Evidentemente, explica, muitos viram uma maneira de empreender de forma legítima e ética. “Em qualquer situação de crise, há setores que se beneficiam economicamente. Alguns, infelizmente, de forma predatória”, lastima.

A saída para correr atrás do prejuízo será um exercício de criatividade aliada à gestão estratégica, afirma a mentoring. “Não há como voltar no tempo e por isso não adianta lamentar. Os empreendedores precisam agora é orientar suas ações para a solução dos problemas”, pondera. Na esfera da reorganização interna, Karen aconselha o uso da matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência). “Trata-se de entender quais são os itens das listas de tarefas não cumpridas nestas duas últimas semanas que devem ser resolvidos primeiro. O gestor deve analisar o que afeta o faturamento, a produção e a rentabilidade”. A partir disso, buscar formas de reestruturar prazos e realinhar as atividades junto aos trabalhadores, que também se veem perdidos sobre o que fazer primeiro.

Com relação ao atendimento aos clientes, a regra é a mesma de sempre: transparência. “Claro que existe uma compreensão e tolerância. Quem comprou no e-commerce sabe que o produto vai demorar mais do que o previsto para chegar. Mas isso não isenta a empresa, de qualquer setor, de conversar com o seu público para dar explicações”, lembra. A dica é deixar claro de que forma a organização foi impactada pelas paralisações e o que ela está fazendo para minimizar esses impactos para o cliente.

No que se refere ao estímulo do consumidor, Karen ressalta que o comportamento padrão é de estagnação em alguns setores nos momentos críticos para a economia. “As pessoas sentem-se inseguras e reorganizam suas prioridades de consumo”, esclarece. Nesse caso, a saída para quem vende produtos e serviços é a criatividade. “Quando cabível, aumentar a produção e a jornada de trabalho são formas de compensar o tempo perdido”, diz. Recalcular preços é a mais óbvia das medidas. “Se o custo aumenta, o preço final ou a margem de lucro sofrem alterações”, fala ao reforçar que isso não pode ser confundido com uma prática abusiva na elevação ou mesmo na diminuição dos preços.

“A criatividade, um dom nato do empreendedor brasileiro, será fundamental nas estratégias pós-paralisações”, afirma. A dica de Karen é reestruturar as ações de marketing, orientando os esforços da empresa para este novo e desconhecido momento. Promoções e descontos são algumas das possibilidades, mas a mentoring reforça que cada negócio precisa olhar para o seu mercado de atuação, entender o comportamento e necessidades do consumidor e investir em formas assertivas de atrair clientes. “Para isso, infelizmente, não há uma fórmula mágica. A criatividade deve ser exercida de forma multidisciplinar, envolvendo os diversos setores da empresa, da contabilidade ao marketing”, salienta.

Karen recomenda aos empreendedores, ainda, uma análise profunda sobre o momento, a fim de construir aprendizados que devem ser incorporados ao plano de gestão de crises. “A pergunta que o gestor deve fazer é: se acontecer algo semelhante novamente, como iremos agir?”. Um exemplo está em setores produtivos que têm condições de continuar funcionando com colaboradores atuando remotamente. “É uma solução simples, porém com questões complexas, que envolvem a legislação trabalhista, a segurança da informação, a logística de comunicação entre funcionários, recursos tecnológicos etc”, finaliza.

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